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Caso você se preocupe com a qualidade de aditivos encontrados nos alimentos hoje em dia, opte pelos produtos orgânicos-mas não espere que eles tenham maior valor nutritivo.
A noção de alimento nutritivo produzido por métodos naturais, compreensivelmente, atrai os consumidores preocupados com os efeitos sobre a saúde de pesticidas, hormônios de crescimento, antibióticos e outros produtos químicos mais usados por agricultores. Os defensores da agricultura moderna reagem dizendo que seus métodos são seguros e que são eles os responsáveis pela abundância desfrutados hoje. Não obstante a constante controvérsia, o movimento em direção a uma alimentação saudável está crescendo. Há apenas poucos anos, os alimentos orgânicos só podiam ser encontrados em lojas de produtos ou em mercados e feiras de pequenos agricultores. Hoje, ao contrário, todos os gêneros alimentícios, desde carne, frango e ovos caipira, a legumes, verduras e frutas, além de vinhos, são comercializados junto com os produtos convencionais em supermercados e lojas de produtos alimentares. Duas grandes diferenças podem ser identificadas, entretanto: o alimento natural ou orgânico geralmente é mais caro e, muitas vezes não é tão atraente visualmente quanto seus concorrentes. Em relação ao valor nutricional, os especialistas afirmam que não há diferença. SIGNIFICADO DOS TERMOS Podem ser utilizados os termos “alimento orgânico”, “natural” e “saudável” para identificar os alimentos cultivados com fertilizantes orgânicos e controles naturais contra insetos e ervas daninhas. O que acontece, na realidade, é que muitos alimentos produzidos convencionalmente são postos no mercado como produtos naturais sem o serem de fato. CONTEÚDO NUTRICIONAL Os fornecedores de alimentos naturais muitas vezes promovem seus produtos como sendo mais seguros e mais nutritivos que os produzidos que os produzidos com ajuda artificial. Muitas pessoas presumem erroneamente que os adubos naturais produzem alimentos mais nutritivos que os cultivados com fertilizantes comerciais. Mas isso não é verdade. A genética da planta, o clima, a irrigação e a época da colheita têm um impacto muito maior no conteúdo nutricional do que o tipo de fertilizante usado. Durante o crescimento, a planta extrai diversos minerais e outras substâncias do solo e os converte em novos materiais orgânicos. Não faz diferença se os nutrientes necessários vêm de fertilizantes naturais ou artificiais. Vários testes laboratoriais feitos para comparar os nutrientes em produtos cultivados organicamente ou de forma convencional não encontraram nenhuma diferença nutricional quando contribuem com nutrientes, como o iodo, ausente em alguns solos. Os métodos modernos de agricultura geram safras mais produtivas do que os métodos orgânicos ou naturais. Uma pesquisa comparando a produtividade por hectare revelou que o uso de pesticidas e fertilizantes comerciais mais do que duplicou o número de sacas de milho, soja e trigo produzidos pelos métodos orgânicos de agricultura. A produtividade mais baixa é uma das razões para o custo mais alto dos alimentos orgânicos. SABOR Ainda que não existam diferenças nutricionais significativas entre os alimentos cultivados organicamente e da forma tradicional, há algumas diferenças marcantes no sabor e na aparência. As frutas e legumes orgânicos tendem a ser menores e mais saborosos. Ao mesmo tempo, alguns também podem apresentar manchas na casca devido a ataques de insetos e a cor pode não ser uniforme e tão intensa quanto a alcançada através da utilização de corantes ou ceras. A carne de galinha, porco e boi que se alimentam ao ar livre e não recebem hormônios de crescimento também têm um sabor diferente, em comparação com os criados industrialmente. Em geral, o gado e as aves criadas soltas produzem uma carne mais magra, um pouco mais dura e mais saborosa, talvez porque eles exercitem mais e demorem mais para atingir a maturidade. SEGURANÇA Não há dúvida de que os pesticidas comerciais são tóxicos mas, quando usados devidamente, não oferecem grande perigo à saúde do consumidor.( Em comparação, podem ser muito perigosos para quem os aplica ou entra em contato com áreas recém- tratada.) Alguns pesticidas até diminuem o potencial de risco à saúde; por exemplo, os fungicidas retardam o crescimento de bolor, que produz toxinas causadoras de câncer. No que diz respeito a pesticidas, as agências governamentais alertam os consumidores quanto a produtos sem selo do Ministério da Saúde ou da Agricultura, que não têm fiscalização sobre o uso de pesticidas proibidos. De qualquer forma, o ideal é lavar todas as frutas e legumes antes de comê-los e, em alguns casos, os alimentos devem ser descascados. Alguns alimentos naturais colocam a saúde em grande risco e devem ser evitados. Por exemplo, leite e derivados não-pasteurizados podem abrigar organismos que causam tuberculose e outras doenças graves. ABORDAGEM PRUDENTE Em geral, o Brasil conta com um suprimento abundante e relativamente seguro de alimentos. Não está, entretanto, totalmente livre de problemas. Os cientistas se preocupam que os métodos de agricultura modernos e o uso abundante de pesticidas podem eventualmente perturbar o equilíbrio ecológico e causar grandes problemas. Isto já ocorreu no passado com a dizimação de populações de pássaros, o que levou à proibição do uso de DDT. Os consumidores preocupados com os resíduos químicos têm, na verdade, mercados e feiras de pequenos agricultores, ou juntar-se ao número crescente de pessoas que estão redescobrindo as recompensas do cultivo de alimentos em seus próprios jardins.
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